Rio quer ajuda da União de pelo menos R$ 5 bilhões na área da Segurança
- Notícias - O melhor do bairro de Vila da Penha, Zona Norte, Rio de Janeiro, RJ

quinta-feira, 08 de dezembro de 2016
      

Rio quer ajuda da União de pelo menos R$ 5 bilhões na área da Segurança

Rio quer ajuda da União de pelo menos R$ 5 bilhões na área da Segurança



RIO — Depois de um protesto que terminou convertendo o Centro do Rio em uma praça de guerra, o governo pretende pedir uma ajuda financeira emergencial de R$ 5 bilhões a R$ 7 bilhões para a União na área de Segurança. A proposta foi levada à bancada federal do Rio, que já estuda um projeto de lei que garanta essa ajuda. Segundo fontes do Executivo estadual, a ideia é criar um "projeto modelo" de ajuda que possa beneficiar outros estados em crise. Por enquanto, o texto ainda está sendo estudado, de forma que se chegue a uma redação "constitucional". Esse auxílio emergencial, entretanto, ainda não tem o aval do governo federal.

Essa, segundo governistas da própria Assembleia Legislativa do Rio, é a única forma de o Rio atravessar o ano sem um caos instalado na área da Segurança. Interlocutores do governo estadual entregam que o salário dos servidores da Segurança dificilmente será pago no décimo dia útil do mês, o que pode agravar protestos e até gerar uma greve.

De acordo com o deputado federal Hugo Leal (PSB), o governador Luiz Fernando Pezão discutiu com a bancada a necessidade dessa ajuda em uma reunião na última terça-feira, com a bancada do Rio na Câmara dos Deputados. Segundo ele, deputados estão "estudando a constitucionalidade" de um texto para o Projeto de Lei.

— Só não estourou ainda porque o estado recebeu em julho os R$ 3 bilhões relativos à Olimpíada. O Rio precisa de mais recursos. O foco da bancada e tentar consegui-los para a área da Segurança e da Saúde, que estão mais sensíveis - disse Hugo Leal. - O governador disse que é melhor receber recursos, por uma espécie de convênio, que um auxílio da Força Nacional. É difícil. Minas decretou calamidade, o Rio Grande do Sul também. O momento é de dificuldade para todos. Mas, infelizmente, o Governo Federal tem que entender que a situação do Rio é a pior.

Diante do buraco cada vez mais fundo em que parecem estar as contas do governo do estado, muitos deputados estaduais foram ao plenário da Alerj nesta quarta-feira (7) defender a necessidade de uma ajuda federal.

— Peço ao presidente que intervenha em nosso estado. A situação do estado é crítica e tem que haver intervenção federal — argumentou a deputada Tia Ju (PRB).

Outros parlamentares criticaram a falta de pulso do PMDB do Rio para pressionar o governo federal:

— Acho que não tem outro jeito (além da ajuda federal). Não entendo o governador de um partido do presidente da república deixá-lo arrestar R$ 300 milhões. Eles têm que ter um entendimento que eles têm que ajudar. É um governo que se mostra inerte — criticou o líder do PDT, Luiz Martins.

— Ou o governo federal nos ajuda ou o Rio em pouco tempo vai pro buraco e vai levar junto Minas e RS. Num primeiro momento, a coisa mais importante é suspender os bloqueios. Por pelo menos seis meses — disse André Corrêa (DEM).

Sem ajuda, a base do governo na Alerj acreditam que há poucas chances de aprovar o Projeto de Lei do pacote de ajuste fiscal que posterga reajustes para profissionais da Segurança de 2017 para 2020. Com isso, alguns parlamentares da base sugeriram propostas alternativas para suavizar o texto. Uma delas é que o adiamento seja só de janeiro a maio de 2017. Ou seja, de apenas cinco meses. Outra ideia é conceder os reajustes só em junho de 2019, mas corrigidos pela inflação do período.

AÇÃO DA POLÍCIA

A preocupação é tanta que a ação da polícia durante o protesto de terça-feira rendeu várias falas de deputados estaduais no plenário da Alerj, em um dia de votações ligadas ao transporte público e que não teve protesto algum. O próprio presidente da Casa, Jorge Picciani, propôs uma moção de homenagem aos PMs e bombeiros que atuaram no entorno da Alerj, disse que não viu servidores no ato, mas "manifestantes armados com centenas de morteiros":

— Isso não pode ser considerado uma luta normal, e inclusive impede que os servidores que estavam vindo negociar deixem de ir negociar. A maioria dos servidores não quer isso. Os servidores estão legitimados nessas manifestações pelo atraso de salários, pela falta de garantia do 13º. Tudo isso tensiona e agrava, as pessoas tem suas famílias e suas contas. O movimento dos servidores é legítimo, mas esse tipo de morteiro foi o mesmo que vitimou o cinegrafista Santiago — disse Picciani aos jornalistas que acompanhavam a sessão.

A deputada Cidinha Campos (PDT) fez uma fala inflamada a favor da ação da PM durante a sessão:

— Queria agradecer a PM os bombeiros e policia civil. Quando eles foram agredidos, reagiram com toda a tranquilidade, com armas não letais, dando tiros de bala de borracha. Tem muito deputado que reclama da PM mas na hora que o gás entra e a bomba estoura só falta se esconder debaixo da mesa.

Pouco antes, o deputado Dr Julianelli (Rede) criticou o fato de policiais terem atirado bombas contra pedestres que nada tinham a ver com o ato.

— Ontem vi uma atitude que não é compatível com a atitude da PM no Largo da Carioca. Eu estava em uma feira agrícola e a PM soltou bombas lá, arriscando criar pânico dentro do metrô. A presidência da Casa, quando solicita Segurança, precisa recomendar que tenha cuidado . Eram duas viaturas que umas duas ou três bombas ali dentro.

Já o deputado Eliomar Coelho (PSOL), disse que a bancada é contra a violência, mas que a a PM "criminalizou movimentos sociais" durante o ato.



Leia mais: http://oglobo.globo.com/oglobo-20607230#ixzz4SGkmyFy5

 

Por Carina Bacelar - O Globo