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Dr. Antonio Carlos, Psicanalistas Em Bangu, Rio De Janeiro, Rj


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DR. ANTONIO CARLOS, Psicanalistas
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DR. ANTONIO CARLOS, Psicanalistas

PSICANALISTAS EM BANGU
RUA PROFESSOR CLEMENTE FERREIRA, Nº 1.717 SALA 409, (CONSULTAS SOMENTE COM HORA MARCADA), BANGU
Rio de Janeiro RJ - 21810-141
Celular: (021)99965-3541



DR. ANTONIO CARLOS, Psicanalista em Bangu
 
99965-3541
 
 

Por que ele fez isso?

Ao longo da vida nos fazemos algumas perguntas que retratam a nossa condição humana. Uma delas é “Porque ele fez isso?”, que ocorre quando não entendemos o comportamento do OUTRO.

As nossas atitudes e comportamentos e as de quem nos cerca e principalmente, a quem amamos é muitas vezes incompreensível.

Várias são as fontes do comportamento humano. Alguns têm como causa processos físico-biológicos, como sede, fome e sexo. O nosso corpo físico atinge um estágio em que clama por ter satisfeitas tais necessidades, que se tornam imperiosas.

Outros comportamentos tem como fonte o ambiente externo, o meio social em que vivemos. Os incentivos e as críticas dos que nos cercam, moldam a nossa vida, como a criança que passou a infância sendo chamada de burra, que terá dificuldades na aprendizagem, ou aquela que foi amada, respeitada, satisfeita nas suas necessidades básicas, que será conhecida como uma excelente pessoa.

Mas a vida não é uma equação matemática em que 2+2=4. Pode ser 2 e 2 que uns entendem como 4 e outros como 22.

Você pode ter excelentes pais, mas um deles pode carregar consigo um trauma nunca revelado que por vezes o faz ter comportamentos inexplicáveis, incompreensíveis.

Nesses, o comportamento tem como ORIGEM algo que nem eles sabem explicar, mas como somos treinados para dar explicações, damos à ORIGEM desses comportamentos/SINTOMAS, nomes que todos conhecem, como angústia, ansiedade, depressão, síndrome, etc.

Todos entendem e se solidarizam quando se declara a fome, mas é difícil a compreensão quando se afirma não amar a mãe. Um determinado comportamento pode ter como causa uma necessidade física, uma disfunção genética, um acontecimento social, mas há alguns comportamentos que não tem nenhuma dessas causas, mas uma ORIGEM psíquica, algo que marcou e foi registrado no inconsciente como uma energia, que no passar da vida se transforma num SINTOMA. É aquela dor inexplicável, aquelas atitudes destruidoras, aquele afastamento incompreensível, que nenhum exame clínico vai desvendar, que drogas até arrefecem, mas não curam.

Resta conhecer a ORIGEM desse comportamento, desvelar essa energia e libertá-la.

Quando nos permitimos isso, fica a sensação de perda de tempo: “Caracas, porque carreguei isso tanto tempo?”.

Quando percebemos no OUTRO, passamos a entendê-lo e conseguimos conviver.


Receita para ser feliz

Um famoso filósofo que viveu no século XVIII, descreveu o que podemos chamar de “receita da felicidade”, que ele denominou de “Princípio da maior felicidade”, o que também inspirou Freud. Segundo ele, os seres humanos passam a vida entre dois extremos: o Prazer e a Dor, sendo a Dor companhia mais constante e comum do que o Prazer.

O Prazer é sempre intenso e fugaz e logo que nos habituamos a ele, passa a ser comum e começamos a procurar algo mais. Nunca estamos satisfeitos com o que nos dá prazer,. Os relacionamentos esfriam e os bens perdem o encanto.

Já a Dor está sempre por perto, durante toda nossa existência. Desde o nascimento, somos submetidos a situações que nos afligem, em especial nos primeiros anos de vida, quando somos completamente indefesos, necessitando do auxilio do Outro para sobreviver. E por isso, nesses primeiros anos de vida, quando o sujeito é formado, a insegurança é constante e a Dor está sempre muito próxima.

Mas se não é da natureza humana valorizar o que já conseguiu e assim perpetuar o Prazer, podemos nos afastar da Dor.

Se tivermos a sensação de que algo não vai bem, em primeiro lugar temos que identificar o que está nos causando o desprazer. Qual é a verdadeira origem da Dor? O que está nos impressionando como desagradável é a origem ou uma consequência? O problema é a febre ou o espinho no pé? Temos realmente de conviver com o que nos está causando Dor? Se aquele lugar ou aquelas pessoas me desagradam, preciso realmente ir até lá? Sabemos que quando estamos envolvidos na questão, torna-se mais difícil avaliá-la, pois a nossa percepção pode nos enganar. Aquilo é um gigante ou a sombra de um anão?

O envolvimento e a emoção afetam o nosso julgamento, daí a importância de uma análise técnica. Um desabafo pode causar alívio no momento, mas passa a ser um segredo compartilhado, que pode ocasionar melindres no futuro.

Ao elaborar sobre o que hoje parece insolúvel, criamos a oportunidade de amanha perceber a questão como algo menor.


Entre o Corpo e o Espírito

Tratamos corpo e espírito como se fossem coisas distintas, separadas, que não se tocam. O corpo tratamos com os técnicos e o espírito com os religiosos.

Muitas manifestações do que é comumente chamado “espírito”, a Psicanálise denomina “inconsciente” e afirma que corpo e inconsciente são intimamente ligados e que produzem ações e reações um sobre o outro.

Assim como não se pode tratar uma parte do corpo sem levar em conta todo o restante deste corpo, não se consegue tratar adequadamente uma manifestação do e no corpo, sem a observação do inconsciente.

O inconsciente se manifesta no corpo através de sintomas, que se persistirem, se transformam em doenças. O contrário também é verdadeiro pois um corpo mutilado produz efeitos inconscientes. Uma dor física pode ter origem numa dor psíquica, e vice-versa.

Enquanto o corpo faz parte do mundo externo, o inconsciente é o nosso interior e lá armazenamos as emoções. É através dos sentidos que levamos as sensações para o nosso interior e as transformamos em emoções, que podem ser devolvidas ao mundo exterior ou armazenadas. Ao sermos atacados verbalmente, através da audição levamos a ofensa ao nosso interior, onde é registrada a emoção causada, que pode receber diversas formas de tratamento: exteriorizada e devolvida; internalizada e assumida; introjetada e tamponada, etc.

Uma menina, fisicamente diferente, fragilizada porque não consegue acolhida entre outras meninas e que ouve da irmã mais velha que parece um homem, pode internalizar isso e desenvolver obesidade para ocultar as formas corporais femininas e a sua sexualidade.

Neste caso, a intervenção no corpo somente maquiará a questão. Aqui o corpo é resposta e deve ser tratado em conjunto com o psíquico, que é a origem.

A busca pela transformação e/ou aceitação deve mobilizar a pessoa como um todo, no corpo e no psíquico, liberando emoções guardadas no inconsciente, que proporcionarão relaxamento ao corpo e para tanto, um profissional adequado poderá orientar.


Angústia

A tudo o que conhecemos, damos um nome e quando não conseguimos nomear, ficamos inseguros, nos sentimos estranhos, com medo. Uma sombra, um ruído ou cheiro que não nos é familiar ou agradável, nos deixa alertas porque como não conseguimos identificá-lo ou nomeá-lo, ficamos inseguros, primeiro passo dado em direção ao medo.

O mesmo se dá com os nossos sentimentos e nossas sensações. Ficamos desconfortáveis ao sentir necessidade de correr para o banheiro, mas isso não nos assusta, no entanto ao sentir uma “coisa estranha”, “sem mais nem menos”, brotando dentro de nós, ficamos inseguros, desconfiados, assustados.

“Coisa estranha” é o que não podemos nomear, definir e consequentemente, solucionar. Todos somos treinados para sermos objetivos com o que sentimos: “gosto dele porque é carinhoso...não gosto porque é ausente, etc.” e mesmo quando a “coisa estranha” está dentro de nós temos que a definir. Quando não conseguimos fazê-lo, atribuímos nomes que “estão por aí”, por exemplo, dizemos que estamos angustiados, deprimidos, ansiosos, sem saber exatamente o significado disso.

Afirma Freud que a angústia surge quando a criança fica sozinha, no escuro ou deixada com uma pessoa desconhecida, em uma situação que a deixa insegura. Se imagine vendo ou vivenciando uma situação totalmente estranha, anormal, tipo se deparando com alguém que você acredita que morreu!

Não sabendo lidar com a situação, e não tendo o arsenal de reações que um adulto tem, a criança tranca essa “coisa estranha” num cofre-forte chamado inconsciente.

Ao longo da vida, essa criança, agora adulta, vai passar por situações que a deixam insegura e aquela “coisa estranha” aprisionada no inconsciente vai vibrar, relembrando a experiência passada. E aquela energia se soma a nova, produzindo sintomas inexplicáveis, sem causa física. Como temos que nomeá-la, a chamamos de angústia, por exemplo, e aí, fica mais fácil para comprar drogas e para explicar aos outros. As drogas e o apoio recebido, em princípio diminuirão a intensidade dos sintomas, mas a energia vai continuar lá, vibrando, se manifestando.

Ao longo da vida é natural que situações que nos deixam inseguras tornem a ocorrer e os sintomas retornam, cada vez mais intensos, o que requer drogas mais poderosas. Resta como solução abrir o cofre forte para aquela “coisa estranha” evaporar.

Interessante que o que causou a “coisa estranha” não exerce mais nenhum poder sobre nós e nos livrar “daquilo”, além de nos libertar é prazeroso.

Simples assim: abra o cofre forte e vire as costas ao passado.


Por que rejeitamos a felicidade?

O homem tem como principal objetivo na vida ser feliz, mas age em sentido contrário.

Todos desejam a felicidade, mas muitas das nossas atitudes nos fazem sofrer. Há uma perigosa contradição entre a felicidade que desejamos e as nossas atitudes e hábitos. Inconscientemente procuramos e permitimos situações que nos fazem sofrer. Há uma força que nos leva na direção do que deveríamos evitar e essa contradição consome muita energia. Mas de onde vem essa força poderosa que nos faz sofrer? Alguns chamam de azar, hereditariedade, influência do meio e por aí vai.

Para a Psicanálise essa força tem origem nos sentimentos e emoções reprimidos no inconsciente, que produzem uma energia tão grande que nos impulsionam em condutas que conseguem suplantar o ideal de ser feliz. Tal energia nutre a si mesma e forma um círculo vicioso que se perpetua, ficando cada vez mais forte, tomando conta da nossa vida.

Os sentimentos que reprimimos - raivas, mágoas, perdas, medos e frustrações, agem como se fossem seres com vida e força própria, influenciando nosso pensamento e ações. Mas como reconhecer e se livrar desses sentimentos?

Uma das formas é desabafar com amigos, familiares ou religiosos. Isso pode ser bom, mas o ouvinte talvez não seja a pessoa mais adequada. É difícil para uma mãe ou um amigo não tomar partido, não tentar influenciar e isso pode ser catastrófico. É necessário que o “ouvinte” domine certa técnica que lhe dê a capacidade de identificar os bloqueios e os elementos que nos fazem auto-sabotar nosso desejo de ser feliz. Tais técnicas foram criadas por Freud e compõem os fundamentos da Psicanálise. O Psicanalista é capacitado a auxiliar o sujeito a proceder à análise da sua vida, a se conhecer e a descobrir suas próprias soluções. Muitos acreditam que fazer análise é coisa para “doido”, que é coisa de rico, etc. Não permita que o desconhecimento adie a sua felicidade. A Psicanálise está ao seu alcance. Procure um profissional habilitado, conheça a si mesmo e seja feliz.


Doenças

Boa parte das pessoas que procuram tratamento psíquico, já têm instalado no corpo algum sintoma do sofrimento psíquico que as aflige, sintoma este que é diagnosticado como sendo uma doença. Boa parte dessas pessoas, após percorrer um longo caminho em que passaram por algumas especialidades médicas, tendo realizado exames diversos, e experimentado várias drogas farmacêuticas, passam a desconfiar que somente este caminho não vai curá-las, ou mais raramente, são comunicadas que a sua “doença” não tem causa física e são orientadas a procurar tratamento psíquico.

Em função desse tempo que dispenderam, o que era um sintoma psíquico, pode ter se tornado uma doença, real e concreta. Aquela dor, aquela sensação ruim, aquela mancha, que eram pedidos de ajuda do inconsciente estampadas no corpo, se transformam em doenças reais e agora há duas questões a serem tratadas: a doença física, que antes era somente um sintoma psíquico, e, a origem do sofrimento psíquico que permanece e que acabou por causar a doença.

O senso comum acredita que sofrimento psíquico é algo muito próximo da “loucura” e é comum que a pessoa ao saber que tem uma doença, passe a conviver com ela, deixando de lado o tratamento psíquico, que deu origem, e mantém a doença.

Devido a cultura que compartilhamos, sempre buscamos racionalizar os fatos da vida e assim, ao sentirmos qualquer tipo de dor, reagimos buscando uma causa física, que mesmo que não seja encontrada, resultará na ingestão de drogas farmacêuticas. A dor é atenuada, mas a origem dessa dor permanece inalcançável.

Essa foi a grande descoberta do Freud: não só as “doenças”, mas muito do que acontece conosco, por não sermos senhores dos nossos atos, tem origem no inconsciente.


Texto da revista do O Melhor do Bairro 31° Edição - mai/jun/2016
 
O Lado Secreto da Vida

Muitas coisas na essência e na forma de agir nos diferenciam dos animais, sendo uma das principais o raciocínio e o uso da razão, mas apesar do contínuo aprimoramento da nossa capacidade intelectual, impossível nos livrarmos da nossa porção animal, pois habitamos um corpo que tem necessidades inadiáveis e que sempre busca o prazer.

Essa dualidade - corpo e razão, algumas vezes acarreta conflitos intensos porque muitas normas sociais impõem sofrimento ao corpo, pois não admitem que “desejemos a mulher do próximo” e exigem que tenhamos “boa aparência”.

Somos racionais, habitando um corpo animal e sequer somos donos da própria razão, pois agimos impulsionados pelo inconsciente, que tem suas próprias motivações, pois armazena sensações e emoções escamoteadas ao longo da vida.

Através da razão percebemos, recordamos, julgamos, compreendemos e queremos, muitas vezes forçados por um comportamento que outros nos impõem, além do que grande parte da nossa vontade é impulsionada por motivos que não estão no nosso consciente.

O que resulta de toda essa confusão são conflitos psíquicos que denominamos por exemplo, como depressão, ansiedade e angústia, que se materializam em comportamentos que negam o próprio corpo ou o agridem, como comer, beber e se boicotar.

Muitas vezes quando o conflito se torna incontrolável, o inconsciente age como se fosse um chicote fustigando o corpo: manchas aparecem, o cabelo cai, o estômago queima e outras coisas mais.

O grande lance é que esses conflitos que atormentam a existência e castigam o corpo, sempre estão no passado e na realidade só são importantes porque assim os vemos e já não são essenciais para nossa vida, tanto que estão no passado.

Mas algo nos aprisiona a eles e muitas vezes sequer conseguimos identificá-los. Muitas condutas nos auxiliam a conviver com esse passado, mas somente ao percebê-lo, teremos alívio. A questão que deve ser enfrentada e que permitirá resolver tais conflitos é entender o porquê de não nos livramos desse passado, porquê insistimos em viver aprisionados a ele.

É como se você tivesse um caco de vidro no pé. Pode passar a vida tomando anti-inflamatório ou arrancá-lo de lá.


Texto da revista do O Melhor do Bairro 30° Edição - mar/abr/2016
 
Solidão

Há momentos na vida em que desejamos a solidão. Não queremos permitir que ninguém compartilhe conosco o que estamos vivenciando, mas na maioria das ocasiões, temos total necessidade da presença do outro porque somos incapazes de cultivar um simples pé de alface. Assim, solidão e convivência, são faces da mesma moeda.

Temos certeza quando queremos a presença do outro e também quando não a queremos, mas o outro pode perceber de maneira diferente. A pouco tempo, “estar presente” significava estar fisicamente junto, mas isto foi se diluindo com a tecnologia. Hoje temos uma lista enorme de “contatos”, sem nenhum contato profundo. Acessamos o outro sem marcar hora, sem perceber que estamos sendo inconvenientes. Ninguém fazia visitas nas horas das refeições, hoje fazemos as refeições teclando. Isso não é saudosismo. É constatação de fatos da vida cotidiana.

Muito barulho ou muito silencio é ruim. A virtude é um ponto médio entre o excesso e a falta. Com medo da falta (solidão), caímos dentro do excesso (multidão). Depois de um tempo percebemos que a multidão não nos diz nada, que não temos mais identidade, somos apenas mais um no bloco. E eram tantos desfilando que não percebemos a pessoa que estava ao nosso lado, sambando com os olhos cheios de lagrimas, igualzinho a gente.

Como dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, você só encontrará alguém se estiver só. Mas é necessário que esteja desfilando. Trancada na prisão que você construiu, ninguém vai te ver.

Usualmente essa prisão tem o nome de “Passado”. Interessante que os guardas são pessoas que conviveram conosco, nos fizeram felizes, MAS agora são passado. Não são pessoas ruins, apenas mudaram, como tudo muda. Hoje semente, amanhã fruta, depois semente.

Essa questão básica explica muitas “síndromes”, como a do ninho vazio. Não deixe de sair no bloco, mas coloque um adereço especial porque senão será apenas mais um.


Texto da revista do O Melhor do Bairro 29° Edição - jan/fev/2016
 
Por que tenho isso, Doutor?

A cultura ocidental exige, sempre, uma explicação racional para todas as coisas e fatos. Nesta forma de viver, se alguém relata determinado sintoma, serão feitos exames físicos com objetivo de provar a existência de uma causa que possa estar provocando aquele sintoma.

Isto também acontece, ainda que os sintomas sejam psíquicos, porque esta é a nossa cultura e isto acalma as nossas inquietações. Quando temos uma resposta, por pior que ela seja, passamos a acreditar que temos um caminho a seguir.

“As dores continuam insuportáveis, mas agora sei que são provocadas por aquela doença e então tenho que...”. “Ter uma resposta” faz toda a diferença.

A “resposta” é como um mapa: dali em diante sei como, quando e o que fazer. Mas tal resposta é como um carimbo, que uma vez utilizado, pode ser difícil de apagar ou substituir. E quanto mais substituído mais “borrada” fica a existência.

Além disso, as vezes a febre (sintoma) é tratada, mas o espinho (a causa) permanece no pé.

Na Psicanálise a coisa ocorre de forma diferente. As queixas (febre) são recebidas como sintomas, que devem ser tratados, mas além da causa (o espinho), o que se busca “é por que mantenho o espinho no pé”, isto é a “origem do sintoma”.

Na análise psicanalítica não se busca “entender” o sintoma ou a causa. Queremos “conhecer a origem” do sintoma porque assim podemos decidir o que fazer.

A experiência clínica psicanalítica é rica em exemplos, desde Freud. Muitos dos “sintomas” são resultados do uso prolongado de drogas, ainda que lícitas ou de alimentação e hábitos inadequados. Muitos “sintomas” são provocados pelo contexto que nos cerca: a sensação de falta de ar pode ser consequência de alguém ou algo que nos está asfixiando.

Encontrar a origem do sintoma nos proporciona reconhece-lo como tal e formas eficazes de neutraliza-lo.


Texto da revista do O Melhor do Bairro 28° Edição - nov/dez/2015
 

As diferenças

Diferente é tudo aquilo que não é igual! Óbvio, não!? Nem tanto...

Humanos e inumanos são diferentes na percepção que temos deles, mas podem ser totalmente iguais em algumas percepções que NÃO temos.

Um gay e um hétero podem ser diferentes na percepção que temos das suas condutas sexuais, mas podem ser iguais no zelo das atividades profissionais, sociais e familiares.

O relacionamento de um gay com um hétero pode conter tanto amor como no relacionamento de dois héteros. Talvez mais...

Esse tipo de ponderação é razoavelmente fácil de ser aceita, mas por que rejeitamos certos comportamentos? Por que estranhamos o que não se assemelha a nós? Por que quando a conduta sexual, a religião, raça, cultura são diferentes da nossa, ficamos com um pé atrás?

Em virtude das percepções que temos do Mundo. Uma Kombi, uma flor e uma casa são coisas totalmente distintas, mas todas podem ser amarelas.

Percebemos o OUTRO como diferente quando o COMPORTAMENTO dele difere do nosso e isso nos amedronta e por isso o afastamos. Temos receio de tudo o que não nos é familiar: um local, uma situação, um sentimento.

Não há nada de inadequado nisso pois essa atitude faz parte do instinto de conservação, mas e se você na sua ESSÊNCIA aceita a diferença do OUTRO, mas o rejeita pela possibilidade de ser igual a ele? Se o rejeita por temer a opinião de quem o cerca? Situação mais crítica se dá quando a vida muda nossos conceitos e passamos a acolher o que antes rejeitávamos.

Se é assim, surge o CONFLITO PSÍQUICO.

O indivíduo - aquele que se mostra para o mundo, rejeita, mas o SUJEITO - aquele que vive dentro de você o aceita.

Todo CONFLITO PSÍQUICO tem origem no inconsciente amordaçado, num fato reprimido. Deixe o seu inconsciente falar, ouça-o e tenha certeza, o conflito vai para o espaço...


 
Texto da revista do O Melhor do Bairro 27° Edição - set/out/2015
 
Para que fazer Análise?

As histórias, os comportamentos e as reações se repetem, do tipo, já vi esse filme.

Prometemos que nunca mais tal fato irá se repetir, juramos a nós mesmos que “agora acabou”, e no dia seguinte tudo recomeça... Por que agimos de forma contrária ao que sabemos ser o melhor para nós?

A resposta de Freud é porque o homem não é o senhor das suas próprias razões. Sem que percebamos, nossas atitudes são originadas no inconsciente, que podemos definir como sendo um cofre onde estão guardadas as nossas emoções e experiências e são essas sensações que comandam sutilmente, mas com mão de ferro, a nossa vida.

Não percebemos, mas agimos e reagimos guiados por motivação não aparente. Isso explica o “dedo podre”, a “antipatia gratuita”, “o azar” e coisas do gênero.

Na terapia Psicanalítica se busca a ORIGEM do comportamento inadequado, aquilo que gravado no inconsciente, está provocando o conflito no SUJEITO.

“Inadequado” é um conceito muito subjetivo, pois o que é inadequado para um é maravilhoso para outro. Tem que ser inadequado para o sujeito e não para o outro.

ORIGEM e não a causa! No alcoolismo a “causa” é o excesso de álcool, a ORIGEM é o que fez o sujeito passar a usar o álcool como forma de se livrar do desprazer.

O objeto da análise é o SUJEITO. Um gay que é feliz não precisa de análise pela sua opção sexual, mas se sua mãe não aceita isso, ela é o SUJEITO.

Temos então que a Análise busca a ORIGEM do que é INADEQUADO para aquele SUJEITO e não para os que o cercam!

Além das motivações originadas pelo inconsciente, sofremos com as imposições das leis da sociedade: mulher tem que casar e ter filhos; ...haja o que houver, temos que amar a nossa mãe; ...quem não ostenta bens, não é bem-sucedido e, portanto, não é feliz.

Há casos e situações em que as sensações gravadas no inconsciente são maximizadas pelas imposições da sociedade e aí a coisa piora. Um exemplo forte são as “perdas”. A maior das perdas acontece na morte, mas também são sentidas no término das relações e no emprego, por exemplo.

A “perda” mais sofrida é aquela que não é genuinamente nossa, mas que nos é imposta pela sociedade: Por que tenho que casar? De saber dirigir? De ser médico? De ter filhos?

Quando dizem que temos que ter um emprego estável, estão preocupados com o nosso futuro financeiro ou em nos fazer consumidores em potencial?

No estágio atual da Humanidade é quase impossível viver fora da sociedade, mas porque temos que aceitar as imposições do OUTRO? O comportamento é inadequado para mim ou para o outro? Para que me submeto as imposições do outro?

Descubra as ORIGENS e decida você mesmo se quer mudar e o que quer mudar.


 
Texto da revista do O Melhor do Bairro 26° Edição - jul/ago/2015
 
Discutindo a relação

Em geral, queremos manter os relacionamentos, mas e se o relacionamento estiver desgastado e se não há mais cumplicidade, parceria e objetivos comuns?

O que fazer? Manter as coisas como estão para não sofrer / causar sofrimento ou ir à busca da felicidade? Acabar ou continuar tentando?

Algumas questões devem ser analisadas: a situação é passageira? Qual a origem da dificuldade: financeira, sexual, interferência de terceiros? Há possibilidade do retorno àqueles momentos de realização e felicidade? Ruim com ele pior sem ele?

Como a resposta será para si mesmo, será bobagem mentir, mas tais respostas sustentarão uma importante decisão!

A base de qualquer relacionamento é a certeza de que na sua continuidade, você estará evoluindo. Grande parte dos relacionamentos termina porque o desejo sexual diminui. Se esta for a causa, fique atento porque se o relacionamento for duradouro, fatalmente o desejo sexual diminuirá. Também não espere que o outro seja aquilo que você gostaria que fosse! No mais perfeito relacionamento, as pessoas conservam a própria individualidade.

Também não esqueça que você, o outro e tudo ao redor, está sempre em movimento. O grande temor em terminar um relacionamento e, paradoxalmente, a grande motivação em mantê-los, é o medo da perda.

Freud escreveu textos famosos sobre o luto e a melancolia, sentimentos que se seguem as perdas. Escreveu também sobre a transitoriedade dos sentimentos e objetos, defendendo a idéia de que exatamente porque eram transitórios deveriam ser valorizados e haver certeza de que teriam fim.

O mesmo acontece com os relacionamentos. Sempre serão transitórios, na medida em que são mutáveis. Pergunte a alguém com um longo relacionamento se o desejo sexual do início não tem hoje outra dimensão? Não se apegue a objetos ou sentimentos perdidos.

O passado é um ótimo Mestre, mas pode se transformar em um carcereiro impiedoso.


 

Texto da revista do O Melhor do Bairro 25° Edição - mai/jun/2015
 
As lembranças

É inquestionável (será mesmo!?) que o homem é superior aos animais.

Existem muitas diferenças entre os dois, mas uma das principais é que o animal não tem lembranças.

Você vê o animal pastando e ele parece feliz em ter o alimento que necessita. Ele não lembra que ontem teve fome e que é possível que a tenha amanha. Como o homem tem lembranças, não consegue se livrar delas. Mesmo vivendo um momento feliz, se recorda do anterior, quando sofreu. Ou, o que tem o mesmo efeito, o momento não é agradável, mas não consegue reconhecer isso, preso aos momentos felizes que teve ontem.

Ter lembranças é importante e fundamental porque pode impedir a repetição de erros, mas a lembrança te prende ao passado, seja ele bom ou ruim.

A boa lembrança impede que você valorize o presente e acarreta tristeza: “Eu era muito feliz naquela época”.

A má lembrança te nega o futuro, trazendo o rancor: ”Depois daquilo nunca mais fui o mesmo”.

Junto com as lembranças surgem os sentimentos, que podem ser como a paixão, uma ideia confusa e inadequada, que atribui ao outro o que ele não é, dando-lhe um poder que ele não merece.

A morte é um fato que nos traz lembranças e sentimentos dos mais confusos. Quase todos lhe atribuímos uma face maligna, não admitindo que ela foi maravilhosa para quem morreu. Vemos a morte como um carrasco, negando-lhe a virtude da libertação.

Seja mais feliz do que o animal: valorize o presente, sem supervalorizar o passado ou temer o futuro.

Elabore os seus sentimentos, perceba as paixões e tenha uma ideia clara das suas lembranças.


 
Texto da revista do O Melhor do Bairro 24° Edição - mar/abr/2015
 
Opinião e Palpite

Ainda que em alguns momentos não goste, o homem precisa viver em sociedade. Assim, quando surge uma questão, também surge a necessidade de compartilhar e pedir opiniões e conselhos.

Há quatro tipos de pessoas que podemos compartilhar incertezas: (1) amigos; (2) parentes; (3) líderes religiosos, e, (4) técnicos. Os três primeiros emitirão “palpites”, quase sempre bem intencionados, mas carregados de emoção, positiva ou negativa: “não sei como você aguentou até agora”; “não faça isso...e as crianças!?”, etc. e tal.

É ótimo e essencial ter com quem compartilhar, mas acolhimento ou crítica podem atrapalhar e prejudicar.

É como aquele pé que amanheceu inchado e te dizem “isso é ácido úrico”; “não é nada não, foi jeito...”, mas o pior é “também tive isso, toma esse remédio que amanhã tá bom”.

E você embarca numa furada!

Em geral as coisas são simples: água é na geladeira e fogo no fogão. Se você quer conselho, carinho, colo ou palpite, procure amigos, parentes ou religiosos. Se você precisa ELABORAR a questão, CONSTATAR o ocorrido, RECONHECER os seus atos, então procure um técnico, que te AUXILIARÁ. Ruim de todo, você vai RE-CONHECER o SUJEITO que habita dentro de você.

E se você for procurado para dar conselhos, ouça, acolha, conforte, mas não emita opiniões que acirrem a questão, principalmente, não receite, NÂO JULGUE, pois o sofrimento psíquico mesmo apresentando alguns sintomas é invisível.

Pense o seguinte: quem aconselha “Antártica” não alerta para o “Pinguim”.


 
Texto da revista do O Melhor do Bairro 23° Edição - jan/fev/2015
 
Você é quem gostaria de ser?

Periodicamente o meio em que vivemos nos faz sentir quase que derrotados: é aquela situação financeira que ainda não alcançamos; aquele corpo que não temos; aquele amor ainda não vivido.

Olhamos em volta e acreditamos que OUTROS tem tudo o que queremos e nós quase nada... A mídia nos faz ter certeza que felicidade é sinônimo de comprar, de ser magro, de ser um sucesso!

Temos coisas com características funcionais desnecessárias ou inúteis: o celular é 4G, MAS a operadora não tem sinal; o carro alcança 100 km em 21 segundos, MAS as ruas não permitem nem 40 km/h, MAS ambos são prova do meu sucesso! Não tem muita utilidade, MAS são top de linha.

Nossas relações sociais são instantâneas - Face, Whatsapp, Instagram, que nos colocam em contato com o Mundo, MAS as relações são distantes e superficiais.

Apresentamo-nos ao Mundo como indivíduos com certo sucesso, MAS o sujeito que habita o nosso interior está desanimado e triste. Temos muitas coisas, MAS não o suficiente. Somos incapazes de valorizar o presente e gastamos muito tempo relembrando o passado ou planejando um futuro que talvez nunca aconteça. A mulher esquece o neném maravilhoso e fica deplorando o corpo modificado. O homem passa os dias trabalhando para oferecer mais conforto a família e não consegue tempo para jogar bola com o filho, e por aí vai.

Você já leu dezenas de textos como esse e nem precisava fazê-lo, pois sabe de tudo isso, MAS não consegue fazer diferente. Algo te prende; algo te leva sempre na mesma direção; por mais que você queira, não consegue fazer diferente. Aí você se angustia e as doenças surgem. A pior delas é aquela que não é diagnosticada. Você sente o sofrimento, MAS dizem que você não tem nada. Começa a tomar drogas para ficar calmo e para dormir, MAS aquele sujeito lá dentro fica cada vez mais impaciente, então te restam duas opções: dopar o tal sujeito OU chama-lo para conversar.

Psicanálise é a cura pela fala porque ao relembrar um fato ou uma emoção você tem que revivê-lo, senti-lo, MAS sem retornar ao passado, elaborando-o de longe, como se estivesse se vendo, vendo um filme.

Analisando os fatos da vida você percebe que SEMPRE fez o melhor que podia; que SEMPRE tomou a decisão mais adequada ao momento; que você não é culpado de nada nem tem poder para perdoar ninguém.

Percebe que não é obrigado a ser um sucesso e que é feliz com o que tem. Que as pessoas mudam e os sentimentos também.

Que para ser feliz BASTA se encontrar. Ouvir o sujeito que habita dentro de você e se libertar.


 
Texto da revista do O Melhor do Bairro 22° Edição - nov/dez/2014
 
Quem ama o feio, bonito lhe parece.

Uma das questões que mais causa sofrimento é a nossa incapacidade de reconhecer a realidade. E isso é assim desde o início da Humanidade, pois no Século IV antes de Cristo, Protágoras já afirmava que as coisas são como nós gostaríamos que fossem. Essa característica do ser humano faz com que sintamos, imaginemos e vivamos conforme nossas expectativas, desprezando a realidade.

Todos conhecem alguém que insiste em manter uma relação que somente ela não percebe ser desastrosa. Tal pessoa sofre porque vive algo fora da realidade, vive do passado, se recusando a ocupar um novo papel na vida. É assim com quem perdeu um ente amado, teve uma perda financeira, sofreu um baque na sua condição biológica.

E o que levaria alguém a se aprisionar no próprio sofrimento, manter-se inerte “esperando a morte”: a incapacidade que todos nós temos, em graus e formas diferentes, de absorver as pancadas que levamos durante a vida. Absolutamente todos nós um dia vamos acompanhar o enterro de um ente querido; vamos ter uma perda financeira ou ter uma decepção sentimental. Como temos dificuldade de reconhecer a realidade e como vemos as coisas como gostaríamos que elas fossem e não como elas são, assumimos posturas de defesa. Uns entregam o problema a Deus, outros às drogas (inclusive aquelas compradas na farmácia) e outros ficam andando em círculos.

Excetuando os momentos em que você fica reconfortada, entorpecida ou iludida, você se sente sozinha, andando sem rumo, num dia cinzento. Não há alegria na vida e o melhor momento é quando está dormindo. A coisa fica pior quando alguém diz que “você precisa mudar... isso está te arruinando... eu não aguento mais te ver assim”, fazendo você se sentir uma incapaz, insinuando que você não faz nada para melhorar.

E você não faz PORQUE NÃO CONSEGUE VER AS COISAS DE OUTRO MODO, porque está vivendo no passado. Várias são as possibilidades de sair deste buraco. Todas mais ou menos válidas. Umas muito bem aceitas pela sociedade e outras nem tanto. Ao escolher se faça duas perguntas: esta solução é adequada para mim? Se a resposta for sim, faça a segunda: isso é adequado para quem eu valorizo? Se o resultado for sim + sim, caia dentro, não perca mais um dia na sua vida.


Texto da revista do O Melhor do Bairro 21° Edição - set/out/2014

Sensações ruins

Desde o momento em que nascemos, e há quem acredite que mesmo durante a gestação, todos nós, indistintamente, enfrentamos desafios, muitos deles resultantes em perdas, em forma de morte, abandono, rejeição, traição, etc. Essas perdas provocam uma sensação ruim, quase insuportável, que corrói por dentro e que passa a conduzir nossas ações, provocando reações, sem que percebamos isso.

Alguns, para aplacar essa sensação criam modos de defesa, em forma de hábitos compulsivos (comprando, comendo, jogando), ou usando drogas (remédios ou entorpecentes), etc., na tentativa de esquecer a origem da dor.

Outros “trancam” a lembrança no inconsciente e a “esquecem”. Tanto em uns como nos outros, por motivos diversos, tais defesas acabam levando a problemas maiores e se tornam ineficazes e o sofrimento surge, em alguns no corpo, como doenças psicossomáticas, com sintomas inexplicáveis pela Medicina, em outros no psíquico: a pessoa fica confusa, violenta, esquecida, sente medos, se sente vazia, passando pela vida, insegura, em suma, infeliz.

A origem de todos esses sintomas é aquela perda que se transformou num tipo de energia ruim que está guardada no inconsciente, mas que existe, está viva e pulsa.

Utilizando as técnicas da Psicanálise, a pessoa percebe, por exemplo, que há uma época da sua vida da qual não se lembra de nada, ou, que todos os “azares” que dá, tem uma causa, ou, que aquela forma como procede é a repetição de um padrão que conhece.

Para alguns, conhecer a origem do sofrimento representa livrar-se deles, para outros, dar um novo significado ao ocorrido tem o mesmo efeito, para outros ainda, se perceber é o suficiente.

Tive um caso clínico em que a pessoa se sentia muito mal vendo o mar, chegava a ter pânico. Mesmo almoçar a beira-mar era um sacrifício. Durante a análise surgiu a esquecida emoção da forçada viagem de navio que fez quando criança, quando foi afastada da família.

Isso não a tornou uma apaixonada por praia, mas permitiu-lhe desfrutar do convívio familiar naqueles momentos.


 

Texto da revista do O Melhor do Bairro 20° Edição - jul/ago/2014

Vontade, desejo e felicidade

É universal a vontade de ter alguma coisa e o desejo de ser feliz. Todos querem alguma coisa, em especial, ser feliz. Por que somente alguns conseguem ter o que desejam e muito poucos são felizes? Porque não sabemos diferenciar vontade e desejo; porque no íntimo não temos certeza do que queremos, e o mais importante, não sabemos o que é felicidade. Se eu não sei o que quero e muito menos como tê-lo, é óbvio que nunca terei !

Vontade é ir visitar àquela tia-avó no interior; desejo é ter novamente aquilo que perdi e felicidade é amar o que tenho.

Vontade, diz o ditado, dá e passa. Temos muitas vontades: de emagrecer, ter um emprego estável, deixar o vício, etc., MAS não fazemos NADA para conseguir o que queremos porque temos PRAZER na condição que desfrutamos. Você até discursa em contrário, mas...

Só desejamos o que já tivemos e perdemos. Como já vivenciamos aquela sensação, a perda nos causa dor, mas essa dor nos motiva e também torna claro e forte o nosso desejo.

Felicidade !!?? Todos querem, mas mesmo os que dizem que tem, não sabem dizer O QUE É e COMO CONSEGUIR. A minha indicação segue os ensinamentos de Freud: É FELIZ QUEM NÃO É INFELIZ.

Identifique o que te causa mal estar. É o teu emprego? Mas “o quê” do emprego? O salário, o chefe, a função ou a distância da tua casa? Você pode chegar à conclusão de que o emprego é bom, mas que você “mora mal”.

Agora que você já identificou o que realmente te causa mal estar, SE DETERMINE a modificar o SEU OLHAR sobre o “problema”. Aquela casa que te causa tristeza porque lá morreram seus pais, É SÓ uma casa. Você é que mantém seus pais mortos, lá dentro.

Bem... a causa da infelicidade já está identificada e no seu real tamanho. Basta colocá-la no seu devido lugar (geralmente é no passado). Atribuir a importância que ela tem (normalmente quase nenhuma) e por consequência, SER FELIZ através do SEU OLHAR: um fusca 66 pode ser um carro velho ou uma preciosidade !!!


 

Texto da revista do O Melhor do Bairro 19° Edição - mai/jun/2014

A Morte

No inicio da humanidade a morte era uma CONSEQÜÊNCIA da vida. A maioria das pessoas morria em casa e eram veladas na sala de visitas, com direito a café e bolo. Morrer era uma natural conseqüência de estar vivo. O morto era enterrado e os vivos ficavam tristes, durante um tempo e depois a vida seguia.
 
A única morte que assustava, e hoje assusta mais ainda, era a morte violenta e esse tipo de morte se tornou fonte de riquezas. Uma grande indústria se dedica a ela, em especial a mídia. Em qualquer dia, hora e lugar só se propaga a morte violenta, que passou a ser tida como inevitável. Este modo de ver a morte criou outra mina de ouro inesgotável: se a morte está na esquina e provavelmente será violenta, vamos viver tudo o mais rapidamente possível, sem limites ou pudor. Temos que TER tudo, amar loucamente, conhecer todos os prazeres, antes que uma bala perdida nos encontre.
 
Como não conseguimos tudo o QUE DIZEM que temos que ter, surge a ansiedade, a angustia e a frustração, QUE DIZEM, somente as drogas podem acalmar. Esse mal estar se torna tão presente que se instala no corpo: são as doenças psicossomáticas.
 
E por medo da morte, tornamos a vida insuportável. Permitimos que o OUTRO dite as condições da nossa vida. Rejeitamos relações que o OUTRO não aprovaria; levamos um tipo de vida que o OUTRO acha adequado; compramos coisas para que o OUTRO veja que as temos. Fazemos do OUTRO o instrumento da morte em nossa vida.
 
Rejeite isso. Faça do outro um aliado, um companheiro de alegrias e felicidade. Tenha o que for necessário, nada mais. Trabalhe o que for suficientemente necessário, nada mais. Dispense a “rede social” e fortaleça a amizade na rua, na escola e no trabalho. Cultive o ócio produtivo. Leia. Jogue a TV no lixo. Pesquise o que é Serendipidade.
 
Seja quem você gostaria de ser, fazendo o que lhe agrada, ao lado de quem te ama e a morte que se dane, pois não vai te encontrar encolhido e assustado, MAS FELIZ.

 

Texto da revista do O Melhor do Bairro 18° Edição - mar/abr/2014

O Carcereiro e o encarcerado

Na vida nos apresentamos ao outro da forma como queremos que ele nos perceba. Se tivermos interesse em conquistá-lo, nos apresentamos gentis, honestos, etc. Caso contrário, somos grosseiros ou indiferentes.

E é assim que vivemos: conquistando ou rejeitando segundo NOSSOS interesses. E o outro faz exatamente o mesmo! Isso não é uma coisa ruim. É só a realidade. Nós nos apresentamos como queremos que o outro nos veja.

Por motivos diversos, a “apresentação” do outro pode ser tão do nosso agrado que nos deixamos aprisionar. Abandonamos a NOSSA identidade e passamos a REPRESENTAR  o papel que o outro nos dá, REPETINDO UM MODELO que já vivenciamos.

Nesse momento tornamo-nos encarcerados do desejo do outro. Abrimos mão dos nossos desejos e passamos a viver como o outro nos permite. Encarcerados, sem desejos, mas “com casa, comida e roupa lavada”.

Isso também dá prazer ao carcereiro, pois ele tem o encarcerado a sua disposição, como e quando quiser. Isso o faz se sentir superior.

Mas essa situação cansa porque na prática, carcereiro e encarcerado estão ambos, cumprindo pena, habitando o mesmo presídio. Ter sempre o outro a disposição, torna a relação monótona; a casa pode ficar feia; a comida não ser farta ou não ter sabor e a roupa, não estar sendo bem lavada.

Ai você começa a sonhar que no presídio do lado a vida é melhor. Talvez até seja porque lá, carcereiro e encarcerado reinventaram a vida. Deram um tempo na rotina e “descobriram que fulano já pode se cuidar e vazar”; “que nada me impede de sair daqui e ir prá ali?”; “que aquele sapo já foi um príncipe”.

Mas é preciso descobrir O QUE te incomoda; reconhecer o QUANTO você incomoda; perceber que passamos a vida desempenhando papéis e que REPETIMOS MODELOS.

Responda essas questões e você irá constatar que tua prisão não é tão ruim como parece e que ir para a prisão do lado pode ser uma furada.

Reinvente-se.



Texto da revista do O Melhor do Bairro 17° Edição - jan/fev/2014

Vou ser feliz e já volto
 
Este título é de uma música de Paulo Miklos, do Titãs, que deu uma entrevista para a Revista Trip, de novembro deste ano. O título é um belo exemplo de uma expressão simples, com intenso conteúdo! Basta dizer que há centenas de páginas na internet com o mesmo título.
 
Nesta entrevista, o Paulo relata as muitas perdas que teve: as mudanças na banda, a “briga” contra as drogas, a morte da mãe e da mulher, depois de um casamento de 30 anos. Depois de cada perda ele deu a volta por cima, transformando a perda em ganho.
 
E como ele conseguiu isso? Será ele um abençoado, um cara de sorte? Apesar de gostar muito das suas músicas, conheço pouco dele, mas pela entrevista, fiquei com a impressão de que ele “sublimou” através do trabalho.
 
Sublimar é transformar uma emoção em energia, “virando a mesa”. Se você tem uma perda, pode introjetar aquela emoção ruim e ficar triste e até mesmo desenvolver uma doença, ou, colocar aquela mágoa ou tristeza para fora e começar ou intensificar uma atividade, dedicando-se, por exemplo, ao estudo ou ao trabalho.
 
Mas como fazer isso? Como encontrar forças? PRINCIPALMENTE, COMO FAZER? Há algumas regras básicas:
 
1 – Se convença de que a perda é irremediável. Enquanto você acreditar que “a ficha dele vai cair”, “que ainda tem muito tempo para o Edital caducar”, você vai ficar patinando;
2 – O que você vai iniciar TEM que te DAR PRAZER, mas prazer para VOCÊ. Não importa o que seja ou quanto pareça difícil. TEM que ser uma “coisa” que VOCÊ goste. Se emprego público é estável, mas o sonho é ter uma padaria, seja padeiro...
 
3 – Não tenha escrúpulo em transformar aquele amor em raiva, tendo certeza de que você não vai para o inferno por causa disso. A raiva tem que ser tanta que vai te fazer emagrecer, estudar, ganhar dinheiro e, aaahhh, isso vai ser muito bom...
 
Agora só resta por em prática, mas é aí que a coisa empaca: E você pensa, será que ele não vai voltar mesmo?! Pô, eu não gosto de nada!! Não consigo tirar isso da minha cabeça...
 
Pronto, surgiu o conflito: Começo uma vida nova ou deixo como está, afinal tem gente que está bem pior! E é verdade! Mas essa é a diferença. Muitos passam pela vida, outros fazem a vida. É ruim passar pela vida? Não necessariamente, basta que te satisfaça!
 
Nesta época do ano a crença em Papai Noel e a ideia de uma vida nova ficam mais fortes, então você pode botar um sapato na janela ou correr atrás e comprar um sapato novo!
Quer a minha opinião? Faça as duas coisas!
 
Desejo que em 2014 você não precise de Psicanalista, Médico, Advogado, Plano de Saúde e acionar o seguro. Feliz Natal.
 
 
 
DR. ANTONIO CARLOS, Psicanalista em Bangu
 
3045-6331 / 99965-3541
 
 
 
 
 
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